domingo, 18 de agosto de 2013

TRABALHO DE ACESSO POR CORDA

ACESSO POR CORDA



1. RESUMO

Com a evolução das práticas e procedimentos dando cada vez mais ênfase ao tema segurança, as indústrias do Petróleo, Química e Petroquímica, tem se ancorado nas técnicas de acesso face aos custos atuais, e da necessidade de garantia total da inspeção e manutenção dos equipamentos, onde muitas vezes a forma geométrica deste é um fator que dificulta e encarece a execução das tarefas. A Técnica de
Acesso Por Corda, também conhecida como Alpinismo ou Escalada Industrial, já usada no mundo a pelo menos 30 anos, principalmente Europa e Estados Unidos, vem crescendo dentro da indústria no Brasil e conquistando sucesso por proporcionar segurança, redução de tempo e menor custo dos serviços.

Devido à crescente utilização do acesso por corda no país, e por não existir normas e/ou procedimentos que dessem suporte a essa técnica, várias empresas entre consumidoras e produtoras de serviços, treinamentos e equipamentos, em conjunto com a ABENDE e ABNT, reuniram-se com o objetivo de elaborar normas que estabelecessem regras e orientações para os profissionais e empresas que utilizem
este método, e uma sistemática para qualificação e certificação para o profissional de
acesso por corda.

Esta Postagem, extraída de manuais de treinamento, sites e das normas e técnicas de trabalho em altura que sofri ao longo de minha vida profissional apresenta a aplicação da técnica de Acesso por Corda, praticada hoje em algumas indústrias, abordando os cuidados necessários quanto à segurança, capacitação de pessoal, e análises de riscos para a execução do serviço, vantagens e desvantagens. Apresentam também as normas brasileiras de acesso por corda, suas aplicações, e um resumo dos principais pontos de cada uma, fazendo uma analogia com as principais normas internacionais.

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

O Acesso por Corda é uma técnica opcional de trabalho em altura, que combina as mais avançadas técnicas de acesso a locais elevados e em ambientes confinados, utilizando cordas e equipamentos específicos de descida e ascensão, em serviços onde envolva risco de queda e/ou acesso difícil. Possibilita a diminuição no tempo dos trabalhos gerando um aumento de produtividade e diminuição nos custos, tudo de acordo com os padrões de segurança estabelecidos pelas Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego, e Normas Brasileiras (NBR) aprovadas
pela ABNT.

Apesar da utilização de cordas e equipamentos especiais como meio de acesso, está técnica nada tem em comum com qualquer atividade esportiva que se assemelhe. Não há busca de adrenalina, nem aventura, o profissional de acesso visa apenas à execução do seu serviço com segurança e qualidade.
Não é correto chamar de “Rapel” a Técnica de Acesso por Corda, pois o Rapel é apenas uma das técnicas utilizada para realizar os deslocamentos.



Fig-1 Não associar a qualquer atividade esportiva que se assemelhe



3. SEGURANÇA E EQUIPAMENTOS

Todos os equipamentos e elementos que compõem os equipamentos do Acesso por Corda são de última geração, com certificados pelo Ministério de Trabalho (CA), ou Comunidade Européia (CE), ou Associação Nacional Americana de Proteção contra Incêndio (NFPA) ou União Internacional das Associações de Alpinismo (UIAA).

Oferecem maior agilidade nos movimentos do profissional de acesso no deslocamento entre um ponto a outro com conforto e segurança.




Fig.-2 Alguns equipamentos utilizados no Acesso por Corda


O profissional de acesso realiza os trabalhos, suspenso por duas cordas, sendo uma de trabalho e outra de segurança. A corda de trabalho permite, mediante a utilização do material adequado, deslocar-se em sentido descendente ou ascendente. Todos os aparelhos de progressão são auto-blocantes. A corda de segurança, junto com o cinto de segurança, talabarte duplo com absorverdor de energia e o dispositivo travaquedas, completam o equipamento de proteção individual anti-queda.

Ancoragem: O local da estrutura onde as cordas serão instaladas – pontos para ancoragem – são previamente inspecionados quanto à solidez. Cada corda se encontra presa a pontos de ancoragem diferentes e não comportam nenhum outro elemento, sendo estes os principais, junto com o caráter auto-blocantes3 dos equipamentos de progressão e segurança, o que elimina a possibilidade de queda por um erro mecânico ou humano. Pontos quentes e cortantes são verificados ao longo da via de acesso para que as salvaguardas necessárias sejam instaladas.








Fig-3 Ancoragem 





Fig-4 Profissional de acesso



Um talabarte duplo com absorvedor de energia é utilizado por cada profissional de acesso, a fim de mantê-lo sempre preso durante a manobra de abordagem – posicionamento com as cordas de trabalho e segurança para iniciar a descida pela via de acesso se o profissional perder o controle, eles param automaticamente sem o uso das mãos


Todas as ferramentas e acessórios utilizados pelo profissional de acesso para realizar a sua tarefa são amarradas, para que não caiam caso escorreguem das mãos – ficam penduradas. A área abaixo onde será realizado o serviço de acesso por corda, é devidamente isolada e sinalizada.

Todos os equipamentos e acessórios são inspecionados antes e após a conclusão de cada jornada de trabalho, pelos próprios profissionais que irão utilizá-los, além de serem reavaliados por outros membros da equipe.

Para qualquer serviço onde irá ser empregado o Acesso por Corda, é realizado uma Análise de Risco para identificar os perigos, causas, modos de detecção, efeitos, atividades em paralelo, e as recomendações necessárias para que a tarefa possa ser executada com segurança. Após conclusão das análises é gerado um documento constando às ações e recomendações decididas, o qual é divulgado a todos os envolvidos nos serviços.

Essa análise de risco tem que ser sustentada por uma técnica conhecida e consagrada, como matriz de riscos, e deve ser rediscutida, todavez que a condição inicial dos serviços for alterada, principalmente no que se refere a agentes externos e alterações climáticas.

O número da equipe de acesso por corda varia em função do tipo de serviço e grau de dificuldade que este possui, porém, a equipe mínima geralmente são dois profissionais de acesso. Este número deve ser pré-estabelecido durante a análise de riscos, inclusive os instrumentos de comunicação a serem utilizados.


4. CERTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DE PESSOAL


Para a execução de trabalhos em altura com a técnica de Acesso por corda, os profissionais deverão estar fisicamente aptos, treinados, qualificados e com conhecimentos específicos de todos os equipamentos usados nesta atividade. Como toda técnica, faz-se necessário garantir a capacitação do pessoal envolvido, sendo indispensável que o Profissional de Acesso também esteja qualificado e capacitado nas especialidades que irá desenvolver (pintor, caldeireiro, isolador, pedreiro, soldador, engenheiro, inspetor de ensaios e/ou equipamentos, etc).




Descida controlada com a mão que segura à ponta livre da corda e a empunhadura. Para frear, apesar de não ser uma reação natural, basta soltar a empunhadura.












Fig-7 Descensor:




Ascensor: auxilia a subida do profissional através da corda; Trava-quedas: trava-se imediatamente na corda caso ocorra queda ou descida brusca.













Fig-8 Ascensor:



5. APLICAÇÕES
O Acesso por corda vem sendo utilizado para serviços em geral, em todo tipo de equipamento ou estrutura, tais como: Vasos, Tanques, Esferas, Cilos, Caldeiras, Chaminé, Plataformas Marítimas, Flare, Estrutura Metálica, Torres de Alta Tensão, de Rádio, de Telefonia, Viadutos, Pontes, Prédios, tubulações, podas de árvores, etc.

Veja algumas aplicações a seguir:




Fig-9 Serviços:




6. SOBRE AS NORMAS BRASILEIRAS DE ACESSO POR CORDA

NBR-15595 - Procedimento para aplicação do método

Esta norma estabelece uma sistemática para aplicação dos métodos de segurança do profissional, de sua equipe e de terceiros no acesso por corda. Aplica-se às atividades de ascensão, descensão, deslocamentos horizontais, resgate e auto-resgate dos profissionais e da equipe de acesso por corda, com restrições, em combinação com dispositivos têxteis e mecânicos de ascensão, descensão e de segurança, para o posicionamento em um ponto ou posto de trabalho, estando em locais de difícil acesso, onde cordas são utilizadas como os principais meios de acesso.

Esta Norma se aplica à utilização dos métodos para acessar estruturas (on shore e off shore) ou ambientes com características naturais (encostas), nos quais as cordas estão conectadas a estruturas construídas ou naturais. Esta Norma não se aplica às atividades de esporte de montanha, turismo de aventura e de serviços de emergência destinados a salvamento e resgate de pessoas que não pertençam à própria equipe de acesso por corda.

A Norma foi elaborada tendo-se como base as normas BS 7985 , NTP 682 , NTP 683, NTP 684 , e as experiências dos participantes. Vale ressaltar que nesta elaboração, participaram profissionais de vários segmentos como, indústrias do petróleo, petroquímica, construção civil, energia, telecomunicações, metalúrgica, naval, segmentos urbanos e polícia civil, com grande experiência na atividade de acesso por
corda.

Resumo de alguns pontos principais desta norma:
a) Para a execução da atividade de acesso por corda o profissional deve ser qualificado conforme a ABNT NBR-15475.

b) Antes de iniciar um trabalho de acesso por corda, o profissional de acesso por corda precisa verificar o trabalho a ser realizado, para estabelecer o método a ser utilizado e assegurar-se de que os riscos em
potencial foram identificados.

c) Na atividade de acesso por corda é obrigatório no mínimo dois profissionais, dependendo do nível de risco avaliado poderá ser utilizados três ou mais profissionais.

d) Devido à multiplicidade de áreas, serviços e atividades à que a técnica de acesso por corda é aplicada, o tipo de supervisão a ser utilizada (direta ou remota) deve ser definida durante a elaboração da análise de risco e/ou no procedimento de trabalho.

Observação: a norma NBR-15475 no item 5.1.2.3 determina que no caso de trabalho sobre o mar deve ser exigida a supervisão direta pelo profissional de nível 3.

e) O Supervisor é um profissional de acesso por corda nível 3.

f) Todos os equipamentos devem ser inspecionados antes e depois de cada uso.
g) Os equipamentos ou sistemas de descida devem ser auto-blocantes4.

h) Cada profissional deve utilizar duas cordas em sistemas de ancoragem independentes e/ou individuais de modo que, em caso de falha de uma, o profissional não sofra uma queda. Se o profissional perder o controle, eles param automaticamente sem o uso das mãos.



Fig-10 Ancoragens independentes


i) A área onde as ancoragens são montadas deve estar protegida.

j) Existem vários anexos que tratam de assuntos exclusivos como, realizar a inspeção nos equipamentos, análise de risco, nós e ancoragens.

k) Esta norma possui um total de 60 páginas, 69 itens no corpo principal, termos e definições, e 24 itens relacionado a manobras básicas.

l) O primeiro passo para a realização de um serviço por acesso por corda é a elaboração da análise de risco. É através dela que deverão ser identificados os perigos e aspectos, envolvidos na atividade ou trabalho, fornecendo uma visão ampla das interfaces com outros processos e o meio, permitindo à equipe analista focar em algum ponto crítico e detalhar as tarefas.

m) Existe um anexo que detalha passo a passo as técnicas básicas de descensão, e ascensão em diversas situações (ver exemplo abaixo, retirado da NBR-15595).


NBR-15475 – Qualificação e Certificação de pessoas

Esta Norma estabelece uma sistemática para a qualificação e certificação de profissionais de acesso por corda por um organismo de certificação. A certificação nesta Norma dá ao profissional um atestado de competência geral em acesso por corda. Ela não representa uma autorização para realizar a atividade, uma vez que a responsabilidade continua sendo do empregador. Esta Norma não se aplica às atividades de esporte de montanha, turismo de aventura e serviços de emergência destinados a salvamento e resgate.

Esta norma foi elaborada tomando-se como base a ABNT NBR ISSO/IEC 170245 e o Requerimento Geral da IRATA6 (Certificação de Pessoas no método de Acesso por Corda).


REFERENCIAS


[1] NBR-15475 - Acesso por corda – Qualificação e Certificação de pessoas
[2] NBR-15595 – Acesso por corda - Procedimento para aplicação do método
[3] BS 7985 Code of Practice for the use of rope access methods for industrial purposes
[4] ASTM E2505 - 07 Standard Practice for Industrial Rope Access
[5] NPT-682 Seguridad en trabajos verticales (I): equipos
[6] NPT-683 Seguridad en trabajos verticales (II): técnicas de instalación
[7] NPT-684 Seguridad en trabajos verticales (III): técnicas operativas
[8] Norma de segurança australiana AS1891
[9] Safe Practices For Rope Access Work - Society of Professional Rope Access Technicians (SPRAT)
[10] Manual de Técnicas en Trabajos Verticales - ANETVA
[11] Industrial rope access – Investigation into items of personal protective equipment – Prepared by Lyon Equipment Limited for the Health and Safety Executive (HSE)
[12] Requisitos Gerais do IRATA - 2007
[13] LEI Nº 4.150, de 21 de novembro de 1962
[14] NR-15 Atividades e Operações Insalubres
[15] NR 6 - Equipamento de Proteção Individual – EPI
[16] NR 9 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
[17] NR 7 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
[18] NR 4 - Serviços Especializados em Engenharia e Segurança e em Medicina do Trabalho
[19] NR 18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção
[20] www.abende.org.br
[21] www.bomacfallarrest.com.au/safety_standards.
[22] www.atlasaccess.com.au/about/rope_access_history
[23] www.ukfssart.org.uk/files/ (history Acess )

sábado, 10 de agosto de 2013

Trabalho em Altura e Resgate

Trabalho em Altura e Resgate



O resumo do artigo abaixo é a tradução de um texto publicado no site OHS on line no qual consultores internacionais na área de segurança abordam a questão da proteção e resgate de quedas. Nessa abordagem, o termo “queda” significa aqui que houve um mal funcionamento de andaimes, plataformas ou cabos, e não evidentemente uma queda completa ou fatal. O artigo é bastante elucidativo para a discussão da nova NR-36 (trabalho em altura) que menciona de forma rápida essa questão (resgate)



No Brasil, geralmente o trabalhador que sofre uma queda mergulha para a morte, pois exerce atividades em andaimes sem plataforma e guarda-corpo ou sem cintos adequados, sendo essa a condição de maiores acidentes, inclusive fatais. Além disso, é difícil o desenvolvimento de um plano de resgate.

As quedas de altura ocorrem em sua maioria na construção civil, onde existem estatísticas recentes apontando um incremento dos acidentes. Em outras atividades que envolvem altura, os serviços são realizados também por empresas de construção civil (o CNAE é o mesmo). A NR-35 aparece para supostamente contemplar outras atividades em altura, mas essas atividades acabam sendo realizadas pelas mesmas empresas da construção civil que afinal devem se pautar principalmente pela NR-18.

Os Consultores deste artigo afirmam que um dos aspectos mais negligenciados na prevenção de quedas é a ausência de um sistema eficaz de resgate; no texto da nova NR-35 há uma menção a esse assunto, mas sem um detalhamento adequado. O artigo agora publicado pode representar um bom pretexto para melhorar a nova NR-35.

Após a leitura do Resumo, faça o link para o texto completo no site NRFACIL, na Seção UPDATE:



QUEDA E RESGATE



Imagine o alívio de um trabalhador que sofre uma queda quando ele constata que um sistema de resgate funcionou, salvando-o de um mergulho que poderia ocasionar a sua morte. Agora imagine o pânico que se instala quando o trabalhado constata que não existe nenhum plano de resgate ao alcance. Isto é inadmissivel. O ideal é que um trabalhador que sofre uma queda de altura se sinta calmo e confortável quando observa um bem coordenado plano de resgate sendo posto em prática.
Consultores em proteção de quedas observam diferentes abordagens para a proteção de trabalhadores que sofrem quedas. Infelizmente, uma observação comum é que mesmo a mais proativa empresa tende a minimizar ou ignorar grosseiramente a necessidade de um sistema de resgate.

De fato, a maioria dos consultores em segurança industrial acredita que o RESGATE constitui o aspecto mais negligenciado para a proteção de quedas.





CENÁRIOS



Enquanto alguns cenários de resgate possam ser complicados, na maioria dos casos um resgate bem sucedido pode ser conseguido simplesmente usando uma escada manual. O plano mais simples é geralmente o melhor. Ele precisa ser concebido previamente e assim as pessoas e equipamentos adequados estarão prontos quando necessário.

Lembre-se que ligar para o corpo de bombeiros não representa a única resposta para um resgate de quedas. Um dos aspectos de um plano de resgate é que trabalhadores numa situação de queda possam acessar seus telefones celulares e eles mesmos acionarem o corpo de bombeiros.

Entretanto, ocorrendo uma emergência médica, um trauma durante uma queda ou simplesmente uma circunstância onde o trabalhador não consegue alcançar o seu celular, mostra que este plano pode ser inoperante. E ainda, dependendo das circunstâncias e capacidades de serviços locais de resgate, contar com esses serviços externos pode não ser uma boa opção a tempo de prevenir lesões graves ou até mesmo a morte do trabalhador.


RESGATE IMEDIATO


Pense nisso: qual o menor tempo que você acha que é preciso para resgatar um trabalhador em uma situação de queda suspenso?’

Pergunte a você mesmo, quanto tempo você aguentaria ficar suspenso, amarrado?